tempo de tartarugas

amontoadas na pedra do rio
com perfil abraçado na beira do sol
algumas tartarugas na esteira temporal...

eu rio,
     perfil ocultado,
                            beira de matagal.

Mas eis que desastrada esvanece
e amonte e abraço
o casco na beira estremece

                                    é´steira da morte!

o bixo virado com patas às preces
sofrerá por dias a fio
até que se cumpra e cesse.

seu tempo tôrtogo e duradouro
já não lhe acompanha mais,
e como nos anos solares,
os abraços do sofrimento se oferecem.

ao seu lado passa um rio
desta água simbolo da vida
idéia de verdade temporal
expõe que a vida nos padece...

                       mas quem sabe?

 se o rio cheio viesse
tão logo a desvirada  tartaruga rejusvelhece.

                   eita coisa boa!

mergulhada em sua sobrevida
vira ruga na memória que logo floresce.

                      os tempos se abraçam...

                                  todo aquele templo natural:
                         árvores, patos, bichos do lamaçal...
já o homem passa rapidamente em seu auto-naval.

sublime natureza!
quanto ainda há de nos ensinar?













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